1. Programa “Mentores para Imigrantes”

O Programa “Mentores para Imigrantes” mentoresé uma iniciativa de origem recente promovida pelo ACM – Alto Comissariado para as Migrações e aplicado em todo o país por um conjunto de parceiros locais. Este programa pretende promover, através do voluntariado, experiências de troca, de entreajuda e de apoio entre cidadãos portugueses e imigrantes, permitindo o conhecimento mútuo e o esbater das diferenças na resolução das mesmas dificuldades, preocupações e desafios do dia-a-dia.

Também o Centro decidiu entrar neste Programa, e tivemos a 13 e 14 de Novembro uma sessão de formação com a Dra. Bárbara Duque e a presença de todas as instituições parceiras da zona Norte. Estiveram cerca de 30 pessoas, vindas desde Vila Real à Covilhã. Foram dois dias cheios, de muita aprendizagem e partilha de instrumentos e metodologias de intervenção desenvolvidas por cada um dos parceiros, sempre com o objetivo de ajudar e ser mais úteis para os nossos utentes.

Mais informação sobre este programa pode ser encontrada aqui. E caso tenha curiosidade e alguma disponibilidade para entrar neste bonito projeto e tornar-se mentor de alguém que precisa da ajuda de quem está já habituado à realidade portuguesa, então não deixe de nos contactar!

2. Congresso sobre “O impacto das Representações Sociais na Luta Contra a Pobreza em Portugal”

seminário EAPNA EAPN – Rede Europeia Anti-Pobreza, organizou no dia 11 de Dezembro no Porto a apresentação do estudo intitulado “Bem-me-Quer; Mal-me-Quer – O impacto das Representações Sociais na Luta Contra a Pobreza em Portugal”. O objetivo deste estudo foi a compreensão da forma como as “representações sociais”, que os técnicos e dirigentes de instituições sociais possuem face à pobreza e exclusão social, modelam quer a sua atuação junto dos utentes, quer a definição e a execução das políticas públicas de âmbito social.

Através de exemplos muito concretos e atuais, os participantes foram sendo levados a aperceber-se da existência de muitas “representações mentais” erradas ou redutoras. Acaba por ser comum, por exemplo, pensar que “no fundo, se esta pessoa se esforçasse o suficiente, seria capaz de sair da pobreza”, o que não tem em conta que muitas vezes não é verdade e as causas são também sociais. Ou que “quem se veste bem não pode ser realmente pobre”, o que ignora que as pessoas continuam a usar o que já usavam antes de cair na crise. Ao longo do dia muitas destas representações foram sendo desconstruídos, e mais haverá quando em Fevereiro de 2015 for publicado o estudo completo, que será de acesso gratuito (a página da EAPN pode ser encontrada aqui)

3. Sem-abrigo do Porto pretendem processar Estado Português

Surgiu há dias num jornal nacional a notícia de que um grupo de sem abrigo do Porto, ligados ao movimento “Uma Vida como a Arte”, decidiram processar o Estado Português por violação dos direitos humanos (ver aqui). Ultrapassada a primeira impressão de desproporção e excesso, a leitura do artigo revela os motivos por detrás de tal ação, o alerta para que nem o Estado nem a população em geral se esqueça da situação muitas vezes desesperada destes homens e mulheres que vivem na rua.

Vários são os exemplos reais recolhidos pela notícia, desde pessoas que se sabem “demasiado velhas para encontrar trabalho e demasiado novas para pedir a reforma”, aos cortes e mudanças de regras sucessivas das várias prestações sociais (que faz com que famílias com tudo em ordem estejam às vezes meses à espera do seu pagamento), e ainda ao paradoxo de isentar das taxas moderadas quem não tem rendimentos, mas não do pagamento dos medicamentos (assim como óculos, próteses, etc.), o que na pratica torna impossível a sua aquisição.

Tem sido cada vez mais frequente o surgir de reportagens na comunicação social sobre a pobreza em Portugal, com rostos e histórias concretas. E com elas o desafio, feito a cada um, de conhecer melhor esta realidade que afeta a muitos, e de encontrar formas concretas de atuar para a minorar e combater.