1. “Café Memória” – Para não esquecer quem esquece

1O “Café Memória” é um ponto de encontro para pessoas com problemas de memória e demência, seus familiares e cuidadores, procurando fomentar a partilha de experiências, o suporte mútuo e combater o isolamento social a que muitas/os estão sujeitas/os. Num ambiente informal, acolhedor, reservado e seguro, promove-se a interação entre todos/as os/as participantes, debatem-se temas relevantes, disponibiliza-se informação útil e apoio emocional, e promovem-se atividades lúdicas e estimulantes para quem sofre de demência ou problemas de memória.

As sessões do Café Memória decorrem mensalmente e atualmente são sete os pontos de encontro: três em Lisboa, um em Cascais, um em Campo Maior, um em Viana do Castelo e outro no Porto, onde as sessões acontecem no Espaço Atmosfera M do Montepio (Rua Júlio Dinis, nºs 158-160) todos os segundos sábados de cada mês, das 10h00 às 12h00.

Na página oficial do Projeto (ver aqui) explica-se como decorrem estes encontros ao sabor do café: começam com o acolhimento individual de cada participante, segue-se a apresentação de um tema por um/a orador/a ou a realização de atividades, e vem depois a pausa para café, que se pretende um momento informal de convívio entres todos/as. Estas sessões são livres, gratuitas e não exigem marcação prévia. É sem dúvida um café para degustar com todos os sentidos.

2. Mais de dez mil pessoas ainda vivem nas “ilhas” do Porto

2Foi apresentado publicamente no dia 20 de Abril o estudo “’Ilhas’ do Porto – Levantamento e Caraterização” encomendado pela Câmara Municipal do Porto e coordenado por Isabel Breda Vázquez e Paulo Conceição, investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Este levantamento revela que as 957 “ilhas” que ainda restam na cidade Invicta alojam cerca de 10 400 pessoas (4,4% da população residente no concelho). Apesar de ser um número significativo, quando comparado com os dados de 2001, constata-se que a população que reside neste tipo de núcleo habitacional caiu para quase metade, o que representa o desaparecimento de 234 “ilhas” da malha urbana da cidade.

Estas habitações de dimensões exíguas, na sua maioria degradadas e velhas (83,6% das “ilhas” foram construídas antes de 1951) e quase sempre sem condições de salubridade, são ainda, muitas vezes, a única solução para quem vive com parcos recursos. É isto que o estudo prova ao revelar a baixa estrutura dos rendimentos dos agregados familiares que aqui vivem e o seu perfil ocupacional: quase metade dos residentes são reformados (44,9%), seguindo-se os que se encontram em situação de desemprego (19,1%) e apenas 18,1% estão a trabalhar. A renda média de uma casa de “ilha” é de 85 euros, mas quando se olha para os contratos celebrados há menos de 10 anos, este valor sobe para 162 euros. E apesar dos valores cobrados por este tipo de alojamento ser bastante inferior ao preço de mercado praticado na cidade do Porto, o estudo revela que para um terço destas famílias o valor da renda é incomportável.

Sabemos, pelo contacto diário com as/os utentes do Centro Comunitário São Cirilo, que para quem vive com o rendimento social de inserção, pensões baixas ou salários mínimos, este tipo de alojamento é a melhor das alternativas (ou talvez a única) a um quarto de pensão. Importa por isso equacionar a reabilitação e preservação destes núcleos habitacionais. E também porque as “ilhas” são parte integrante do património urbanístico e da história da Cidade e espaços de intensa vivência comunitária que, como reconhece a própria autarquia portuense, podem funcionar como uma “oportunidade de repovoamento” (ver aqui).

3. Mulheres continuam a ser alvo de discriminação económica e social

3As mulheres continuam a sofrer de discriminação económica e social e são forçadas a ajustar-se a um “mundo de homens”, lê-se num relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado no dia 27 de Abril de 2015. Globalmente há mais desemprego feminino do que masculino, e mesmo quando trabalham as mulheres têm rendimentos inferiores: em média, dispõe de um rendimento mensal 24% mais baixo do que o dos homens. Em Portugal, o hiato é de 17,8%, de acordo com o mesmo documento.

O documento é publicado numa altura em que a comunidade internacional discute a agenda do desenvolvimento para o pós-2015 (final do programa “Objetivos do Milénio”), e coincide com o 20.º aniversário da comemoração da 4.ª Conferência Mundial sobre Mulheres, em Pequim, que determinou uma agenda para melhorar a igualdade entre géneros.

A partir de estatísticas de diversas fontes e de diferentes anos, o Progresso das Mulheres do Mundo 2015-2016 refere que, apesar da diferença de rendimentos observada, as mulheres trabalham, muitas vezes, mais horas do que os homens, uma vez que despendem em média 2,5 vezes mais tempo no chamado trabalho não pago (trabalho doméstico, cuidados com as crianças e idosos, etc.). Ainda assim, Portugal é um país considerado desenvolvido em várias matérias: tem leis contra discriminação entre géneros a nível salarial e no recrutamento, e criminaliza o assédio sexual no local de trabalho.

O relatório determina 10 prioridades para a acção pública, começando por reivindicar mais e melhores empregos para mulheres, a redução da disparidade profissional e salarial entre homens e mulheres, o fortalecimento da segurança económica das mulheres ao longo da vida, a redução e redistribuição do trabalho doméstico, e o investimento em serviços sociais com consciência das questões de género.

Seleção e redação por Paula Ferreira (Diretora do Centro)