1. Refugiados e Migrantes na Europa: um ano que não se pode esquecer

1É final de ano e época de balanços. Na área das migrações os números são trágicos. No dia 21 de Dezembro a ONU e a Organização Internacional das Migrações (OIM) contabilizaram mais de um milhão de pessoas chegadas à União Europeia através de rotas irregulares (ver aqui). Quase metade delas são de nacionalidade síria, mas há também pessoas oriundas do Afeganistão, Iraque e outros países que buscam asilo e fogem à guerra e às perseguições.

A cifra de sete dígitos registada a 21 de Dezembro – 1.005.504 pessoas – é quatro vezes superior à verificada no ano de 2014. A maioria destas pessoas chega por mar, arriscando a sua vida em travessias perigosas. 3695 pessoas desapareceram ou morreram afogadas – é este outro dos números trágicos deste final de ano. Um ano em que alguns países europeus, esquecendo o seu passado recente, ergueram muros e adoptaram medidas que visam travar este fluxo humano. Como é o exemplo da Dinamarca que, fazendo lembrar outros tempos, se prepara para aprovar uma lei que prevê confiscar jóias de valor superior a 400 euros aos requerentes de asilo para ajudar a suportar as despesas relacionadas com os cuidados que o Estado terá com eles (ver aqui e aqui).

2. Homens que fazem a diferença na luta pelos direitos das mulheres

2Ao longo deste ano por várias vezes aqui falámos das questões de violência e (des)igualdade de género, do quanto há a fazer nesta matéria no nosso país e em todo o planeta. O Paquistão é considerado o terceiro país do mundo mais perigoso para uma mulher viver, e foi lá que nasceu e tem trabalhado a antropóloga e documentarista Samar Minallah Khan. Com a sua câmara de filmar tem dado a conhecer a realidade do seu país em termos de direitos humanos, alertando para as questões dos casamentos forçados, do trabalho escravo de milhares de meninas e mulheres, dos pactos de honra em que as dívidas são saldadas com a oferta de uma filha, das mulheres atacadas com ácido simplesmente porque querem estudar.

Por reconhecer que a luta pelos direitos das mulheres tem sido travada maioritariamente por activistas do sexo feminino, Samar decidiu no seu último trabalho mudar o foco e dar voz aos homens que no Paquistão rural e conservador se batem por esta causa, fazendo a diferença na vida das suas mães, irmãs e mulheres (ver aqui). É o caso de Noman, um jovem que ao terminar os estudos secundários insistiu com a família para que a irmã mais nova tivesse a mesma oportunidade. Depois de convencer a família, Noman assumiu como tarefa diária levar e trazer a irmã à escola para evitar que esta, como represália, fosse alvo de ataques com ácido sulfúrico.

Samar Minallah Khan tentou dar visibilidade às histórias destes homens, que eleva à categoria de “heróis”, tentando que o seu exemplo sirva para influenciar outros homens a quebrar tradições seculares que mais não são do que flagrantes violações dos direitos humanos.

Para conhecer melhor a obra desta antropóloga e documentarista premiada várias vezes pelo seu trabalho ver aqui.

3. Risco de pobreza em Portugal atinge mais mulheres e pessoas idosas

3No final do ano o Instituto Nacional de Estatística (INE) volta a dar a conhecer os dados sobre o risco de pobreza em Portugal referentes a 2014 (ver aqui). Ficamos a saber que o risco de pobreza da população em geral se mantém igual ao ano anterior, atingindo cerca de um quinto dos portugueses (19,5%). Contudo, e pelo segundo ano consecutivo, a taxa de risco de pobreza para a população idosa voltou a subir (passa de 15,5% em 2013 para 17,1%), tendo aumentado também para a população sem trabalho. O risco de pobreza também continua a atingir com maior intensidade as mulheres: 20,1% face a 18,8% para os homens.

Como elementos positivos, este relatório revela uma redução da assimetria na distribuição de rendimentos entre mais ricos e mais pobres e a diminuição do risco de pobreza nas crianças (que cai de 25,6% em 2013 para 24,8% em 2014). As famílias com crianças mantêm no entanto um risco de pobreza superior ao dos agregados sem crianças dependentes.

Estes são números que dão (muito) que pensar, e que revelam que ainda muito há a fazer no combate contra a pobreza em Portugal.

Seleção e redação por Paula Ferreira (Diretora do Centro)