Saber o nome

13516715_1098978130176780_3167930628636678505_nEscrevo este texto no dia a seguir à Festa de São João, que nos últimos anos temos tido no Centro. Mais uma vez estiveram quase 150 pessoas, numa animada e informal mistura entre quem é ajudado pelo Centro, muitos voluntários, membros da equipa, e ainda outros amigos que se quiseram fazer próximos. Todos alegremente unidos em conversas amenas nos corredores, pelas sardinhas e febras assadas no jardim, no bailarico ao som da música pimba e tradicional, e pelo enorme balão de São João lançado no final, com os nomes de todos amarrados a ele. Nomes que, como dizia uma voluntária recém-chegada, “já começo a ligar às caras”.

O nome é provavelmente o mais básico elemento de identidade. É a primeira informação a ser dada quando nos apresentamos. É sinal de que há algum tipo de relação, seja ela qual seja, quando pronunciamos o nome de alguém, ou quando alguém nos chama. E quem não fica gratamente contente e se sente valorizado, quando um quase-desconhecido, para nossa surpresa, se recorda do nosso nome?

E foi na participada missa inicial que tivemos o “gesto do nome”, em que cada um pronunciou alto o seu nome, atentamente escutado por todos. É curioso como no Centro quase todos os nomes de quem anda por cá são conhecidos, sejam eles tipicamente portugueses ou estrangeiros de paragens estranhas. E o “abrir a ficha” na receção a quem aparece novo, acaba por ser menos ato administrativo do que gesto de incorporação a esta casa, a partir do nome que se torna conhecido e depois se passa aos demais. Que o Centro continue a ser lugar onde os nomes são conhecidos, para que cada um viva a experiência de se sentir reconhecido, bem-vindo e valorizado.

P. Filipe Martins sj