“Panta rei”

“Panta rei”. “Tudo muda”. Quem não ouviu já alguma vez esta frase do filósofo grego Heráclito, que nasce da consciência de que toda a vida é feita de movim325791e7-9a24-4f15-abdc-6a1814314db6ento e mudança? Eram também os pensadores gregos que exaltavam a estabilidade, enquanto sinal de perfeição. E por isso eram conscientes de que a mudança é a expressão de que as coisas podem sempre melhorar, seguir o seu caminho de crescimento. Quantas vezes a mudança causa instabilidade, algum receio do que possa vir a seguir. Mas tudo o que venha a seguir será bom, mesmo com as suas dificuldades, se vivido com empenho e com fidelidade.

Esta é mais ou menos a fase que vivemos aqui no Centro. Depois de vários meses de casa cheia e estável, estas são semanas de muita mudança, com vários utentes já com emprego e preparados para a autonomização. O que virá a seguir, na vida deles e na vida da casa que já se tinha habituado a eles e os vê partir, não sabemos bem, mas há a confiança de que tudo será bom. Temos também feito a avaliação do ano letivo que termina, em equipa e com várias áreas do voluntariado. Há elementos no projeto São Cirilo que vamos estabilizando e percebendo fundamentais. E há (muitos) outros que vamos testando, avaliando, melhorando. O verão trará também o pleno assumir de toda a direção operativa por parte da Rita Lança, a nova diretora. E teremos também, no recomeçar do ano, o arranque do processo de “planeamento estratégico” para os próximos anos, em que todos (equipa, corpos sociais, voluntários, doadores) serão convidados a participar.

Não recear a mudança, saber viver as “borboletas no estômago” que ela provoca, tem tanto de risco como de sabedoria. Pois recusá-la, agarrar-se ao conhecido e à “zona de conforto”, acaba por ser pobreza e autolimitação. Que o Centro continue a ser casa em mudança, na qual todos se sentem envolvidos e desafiados. E seguimos unidos, na construção de um mundo melhor.

P. Filipe sj