Recomeçar

Terminado o Vremarerão, estamos já em pleno recomeço de ano. As crianças voltaram à escola, os pais dedicam-se aos empregos, toda a vida recupera as rotinas e os ritmos habituais. O mesmo se passa nestes dias no Centro, com o regresso de rostos e atividades já conhecidos, dos voluntários que estiveram fora e da equipa de novo presente por inteiro. Há sempre o gosto dos reencontros no pós-Verão, mas o passar dos dias e semanas traz também um certo sentimento de “mais um ano igual que começa”, com a sua dose de (aparente) monotonia.

Mas talvez estejamos à procura de inspiração no lugar errado, e a novidade que esperamos vir de fora deva ser encontrada dentro. É na “atitude interior” que essa diferença pode (deve!) ser encontrada. Esperamos que a realidade, os outros, nos animem e motivem, quase como se fosse a sua obrigação. E talvez devamos escolher, em vez disso, assumir a responsabilidade e o empenho pelo “puxar pelo barco”. Como mostra a imagem cheia de humor referente à “revolução interior” do Papa Francisco, é a cada um que cabe remar, em vez da atitude passiva de achar que devem ser outros a fazê-lo.

É também esta fidelidade que alimenta as nossas entregas. Tivemos ao longo do Verão várias “autonomizações”, utentes que foram ajudados pelo Centro, e que agora prosseguem o seu caminho de vida. Não sabemos se tudo continuará bem, e ninguém pode garantir que em nenhum caso haverá recaídas ou recuos. O que sabemos, sim, é que (lhes) demos o “todo” que nos era pedido, quando cada um entrou e enquanto cá esteve. E o mesmo faremos com os novos que forem entrando. É isso, afinal, que a vida pede a cada um. E que nessa fidelidade e “espírito de serviço” continuemos a encontrar a Alegria.

P. Filipe sj