Planear, envolver e construir em comum

editorial-out2016-fotoFoi neste mês de Outubro que demos início ao já previsto processo de Planeamento Estratégico do Centro. Já houve vários encontros, com cada um dos grupos que fazem parte da vida da casa: voluntários e utentes, equipa e corpos sociais, e até um conjunto de “pessoas de fora”, a quem pedimos darem-nos a sua visão sobre o nosso trabalho.

O planeamento estratégico destina-se, em primeiro lugar, a pensar o futuro do Centro, de forma a continuar a servir, mais e melhor, quem mais precisa. Alguém dizia que o mundo muda tão depressa que é hoje difícil fazer previsões a longo prazo. É bem verdade! Mas mesmo sem deixar de ter abertura às mudanças, ajuda termos um horizonte e umas metas que orientem a ação do dia-a-dia. Pois nem sempre o urgente corresponde ao importante (e ainda menos quando, como no nosso caso, se quer “capacitar” e “dar a cana para o amanhã”, em vez de só o “peixe para hoje”).

A segunda dimensão deste tipo de processos é a do envolvimento de todos, sem excluir ninguém, e onde cada opinião conta. Numa dinâmica assim não há nunca visões certas ou erradas, como temia outro dos participantes. O que há é a partilha de opiniões, intuições e dúvidas, cada uma a partir do ponto onde cada pessoa se encontra: como diz a sabedoria popular, “um ponto de vista é sempre a vista de um ponto”. E por isso ninguém é dispensável ou está a mais, mesmo quando acha que “não tenho nada de importante para dizer”. E têm-se confirmado que cada pessoa aporta sempre algo de único e de particular (porque é único e particular!), que complementa e enriquece o todo.

E o terceiro elemento característico deste planeamento tem sido o fato de o fazermos em comum, nos encontros muitas partilhas têm “puxado” pelas seguintes, sugerindo novas ideias e propostas. Talvez a habitual “a minha liberdade termina onde começa a do outro” não seja toda a verdade, e também aconteça que “a minha liberdade começa onde começa a do outro”. Pois estas semanas têm confirmado como várias liberdades, quando orientadas para o bem comum, se estimulam, se ajudam e crescem mutuamente.

No presente cuidar já do futuro, ouvir a todos e não deixar ninguém de fora, construir e avançar em comum: esta tem sido para já a experiência deste enriquecedor processo. Semelhante, no fundo, à experiência da vida. Obrigado a tantos pela presença, o Planeamento segue no próximo mês…

P. Filipe Martins sj