No momento em que escrevo este editorial, o nosso País – e o mundo inteiro – vive um desafio de saúde pública que, a um nível tão global como este, não parece ter precedentes na nossa História.

Por causa disso, já desde o dia 10 de Março, o Centro São Cirilo tem infelizmente as suas portas fechadas a utentes externos. De facto, o habitual anteriormente era que, em cada dia, o Centro contasse, nas suas instalações, com a presença de dezenas de pessoas. Estando estas pessoas em contacto direto umas com as outras, com os nossos utentes internos e com a equipa, continuar a ter as portas abertas representava um risco que, a partir de certo momento, não pareceu razoável continuar a correr.

Neste momento, a preocupação maior do Centro são então o bem-estar e a saúde dos seus utentes internos atuais (11 homens, 4 mulheres e uma criança). Continuamos, de qualquer dos modos, a fazer a recolha dos alimentos nos supermercados El Corte Inglés, Continente e Pingo Doce, permitindo ao Centro garantir a entrega diária de cabazes (agora no exterior das instalações do Centro).

Além desta questão primordial, e mais urgente, de saúde, está por outro lado à vista de todos, a crise económica e social que em breve provavelmente se seguirá.

Antes disso, porém, uma das preocupações que mais tem ocupado o meu pensamento tem sido o impacto que esta pandemia poderá vir a ter nos Países do mundo com sistemas de saúde mais frágeis. Rezo por isso para que a par de um desafio tão grande e sem precedentes como este, possam vir também a surgir mobilizações de solidariedade também sem precedentes entre povos e entre seres-humanos.

Luís Ferreira do Amaral s.j. | Presidente da Direção