Month: December 2015 (page 1 of 2)

Editorial

Construir pontes

12369096_852797584841686_2891646087733719878_nChegamos ao final de mais um ano, e à última edição da Newsletter de 2015. O mais habitual é dar destaque no editorial às notícias do Centro, o que por cá se vai fazendo devido ao empenho de tantos (equipa e utentes, voluntários e doadores, etc.). Mas a Newsletter tem também, desde a primeira hora, uma secção “Atenção às margens”, onde vamos apresentando notícias sobre as “dores” do mundo, a pobreza, a imigração forçada e tantas outras dificuldades. Elas só mudarão se fizermos algo, e só faremos algo se as conhecermos.

Grande é a tentação, como tem alertado o Papa Francisco, de cada um se fechar e viver tranquilo no seu “mundo” mais próximo. À partida não haveria mal nisso, e ainda bem que a muitos a vida corre serena. Mas essa atitude torna-se insuficiente, quando ao lado há quem tenha vidas difíceis, quando na mesma cidade, país e mundo, persistem a pobreza, a injustiça e as desigualdades sociais. Daqui nasce o chamamento a “construir pontes”, de cada um sair da sua zona de conforto e “dar a mão”, em gestos individuais (em direção ao conhecido ou ao sem-abrigo mais isolado) e coletivos (num voluntariado ou noutra forma de participação cívica organizada). É um chamamento provavelmente pouco espontâneo para a nossa comum natureza humana, mas não por isso menos necessário para a construção do nosso comum mundo fraterno.

O Centro São Cirilo, como tantas outras instituições, nasceu e quer permanecer atento a este chamamento, de ajudar, capacitar e caminhar ao lado de quem vive nestas situações difíceis. São aliás contagiantes a esperança e empenho de muitas destas pessoas, como mostra mais uma reportagem sobre o trabalho do Centro na RTP (aqui). Que no novo ano possamos, como instituição e como pessoas individuais, continuar a crescer na capacidade de “construir pontes”, criando mais ligações e partilha entre pessoas e mundos diferentes. E no seu caso pessoal, que pontes pressente o chamamento a construir no começo deste novo ano? Que o Espírito deste tempo de Natal nos dê luz para o perceber, e força para o pôr em prática. E votos de bom começo de 2016 para todos!

 P. Filipe Martins sj

Breves do Centro

1. Venda de Natal do Centro

12314051_846825055438939_5562179649139359842_n12346556_846825322105579_8216547806547141089_n12347693_846825392105572_572813997624214582_nNos dias 4, 5 e 6 de dezembro decorreu no Centro São Cirilo a já tradicional Venda de Natal. Foi uma boa oportunidade para, nesta altura festiva do ano, muitas pessoas adquirirem algumas lembranças e conhecerem o Centro, o seu projeto e missão. Estas atividades que têm sido desenvolvidas pela equipa do São Cirilo são muito importantes para a instituição, pois ajudam a estreitar a sua relação com o exterior.

Várias banquinhas compuseram esta Venda de Natal, oferecendo aos que a visitaram uma ampla gama de escolha e de difícil decisão. Desde artigos de decoração de Natal, a roupa e assessórios, produtos de beleza, artes plásticas e produtos alimentares, a oferta foi diversificada. Como habitualmente também acontece, o Centro preparou uma banca com comes e bebes, que mais uma vez foi muito concorrida. Paralelamente foi organizado um programa lúdico-cultural, que ao longo dos três dias animou e atraiu muita gente à Venda, num cartaz composto por várias atuações individuais e de grupo.

O balanço foi, mais uma vez, bastante positivo, com a adesão e opinião dos visitantes a expressar isso mesmo. Como participante numa das banquinhas da Venda de Natal, agradeço à organização, e a todos quantos visitaram o Centro São Cirilo nestes dias.

 Luís Filipe Lencastre

2. Concerto do XI Curso de Formação de Animadores Musicais na Casa da Música

535281_852168671571244_7224392098106132980_nO Centro São Cirilo participou num workshop organizado pela Casa da Música, que decorreu nos fins de semana de 21 e 22 de novembro e 19 e 20 dezembro, e onde tivemos a oportunidade de trocar ideias, divertirmo-nos, conhecer pessoas novas e trocar experiências. A atividade decorreu na própria Casa da Música, onde formámos uma banda, cada um tocando um instrumento à sua escolha. Não era necessário ser profissional ou bom naquele instrumento, bastava apenas tocar e juntos formar um som, um ritmo.

Tivemos apenas 3 dias de ensaios antes do concerto, ensaios esses que foram bastante divertidos, neles usando uma mistura de instrumentos, elementos de percussão, violinos, violas, pianos etc. Todos juntos conseguimos criar um som muito agradável aos ouvidos. E é claro que não foi só conhecer pessoas novas e trocar ideias, aprendemos também acerca da música, arte que se constitui na combinação de vários sons e ritmos, harmonia e melodia, e que se pode usar para expressar sentimentos.

A finalidade do concerto com que terminámos o workshop, na tarde do dia 20 de dezembro, foi mostrar às pessoas que não é preciso estudar música para se cantar ou tocar um instrumento, a música está na nossa alma, no sangue. Foi bom termos participado, e agradecemos a presença dos que lá estiveram a assistir, usando um pouco do seu tempo precioso para vir ver-nos.

Esperança Joaquim e Mayamba Malungo

 3. Fim-de-semana de Formação sobre Identidade Inaciana

Foto 2Nos dias 30 de novembro e 1 de dezembro realizou-se na Casa de Retiros de Santo Inácio (na Praia Grande, em Sintra), um módulo de Formação sobre Identidade Inaciana. Foram convidados colaboradores das várias obras sociais Jesuítas para participar na formação, e o principal objetivo passava por conhecer a vida e a experiência de Sto. Inácio, de onde emerge a espiritualidade inaciana e as linhas orientadoras da ação das referidas obras.

A formação foi dividida em dois dias, intercalando momentos expositivos com momentos de reflexão individual e partilha em pequenos grupos. Este tipo de organização permitiu uma aprendizagem e crescimento individual, assim como a nível de “corpo” entre as diferentes obras.

Foi determinante a formação ter ocorrido ininterruptamente durante dois dias, permitindo não só uma maior assimilação e “disponibilidade” interior, como também a criação de momentos informais de convívio, essenciais para a criação de grupo. A nível pessoal considerei esta formação uma experiência desafiante, na medida em que permitiu como que redirecionar o olhar, sobre o trabalho que faço e sobre como vivo a vida.

Joana Ferraz

História do mês

Na História deste mês damos destaque a uma reportagem fotográfica realizada pelo fotógrafo Rui Farinha, projeto levado a cabo pela Associação Plano i, recentemente criada com o objectivo de defender princípios e práticas de igualdade e de inclusão.

No dia 10 de dezembro assinalou-se o Dia Internacional dos Direitos Humanos. A Associação Plano i quis comemorar a data lançando a campanha fotográfica NÓS POMOS OS PONTOS NOS i’S, fotografando vários dos nossos utentes, de diversos países e continentes.

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Voluntariado do mês

No dia 17 de Dezembro, decorreu no Centro São Cirilo o já tradicional Lanche das Atividades, como forma de incentivar e promover a presença dos alunos nas aulas, bem como o excelente trabalho que todos os professores voluntários vão fazendo.

Aqui fica o resumo fotográfico do que se passou por cá.

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Atenção às Margens

1. Refugiados e Migrantes na Europa: um ano que não se pode esquecer

1É final de ano e época de balanços. Na área das migrações os números são trágicos. No dia 21 de Dezembro a ONU e a Organização Internacional das Migrações (OIM) contabilizaram mais de um milhão de pessoas chegadas à União Europeia através de rotas irregulares (ver aqui). Quase metade delas são de nacionalidade síria, mas há também pessoas oriundas do Afeganistão, Iraque e outros países que buscam asilo e fogem à guerra e às perseguições.

A cifra de sete dígitos registada a 21 de Dezembro – 1.005.504 pessoas – é quatro vezes superior à verificada no ano de 2014. A maioria destas pessoas chega por mar, arriscando a sua vida em travessias perigosas. 3695 pessoas desapareceram ou morreram afogadas – é este outro dos números trágicos deste final de ano. Um ano em que alguns países europeus, esquecendo o seu passado recente, ergueram muros e adoptaram medidas que visam travar este fluxo humano. Como é o exemplo da Dinamarca que, fazendo lembrar outros tempos, se prepara para aprovar uma lei que prevê confiscar jóias de valor superior a 400 euros aos requerentes de asilo para ajudar a suportar as despesas relacionadas com os cuidados que o Estado terá com eles (ver aqui e aqui).

2. Homens que fazem a diferença na luta pelos direitos das mulheres

2Ao longo deste ano por várias vezes aqui falámos das questões de violência e (des)igualdade de género, do quanto há a fazer nesta matéria no nosso país e em todo o planeta. O Paquistão é considerado o terceiro país do mundo mais perigoso para uma mulher viver, e foi lá que nasceu e tem trabalhado a antropóloga e documentarista Samar Minallah Khan. Com a sua câmara de filmar tem dado a conhecer a realidade do seu país em termos de direitos humanos, alertando para as questões dos casamentos forçados, do trabalho escravo de milhares de meninas e mulheres, dos pactos de honra em que as dívidas são saldadas com a oferta de uma filha, das mulheres atacadas com ácido simplesmente porque querem estudar.

Por reconhecer que a luta pelos direitos das mulheres tem sido travada maioritariamente por activistas do sexo feminino, Samar decidiu no seu último trabalho mudar o foco e dar voz aos homens que no Paquistão rural e conservador se batem por esta causa, fazendo a diferença na vida das suas mães, irmãs e mulheres (ver aqui). É o caso de Noman, um jovem que ao terminar os estudos secundários insistiu com a família para que a irmã mais nova tivesse a mesma oportunidade. Depois de convencer a família, Noman assumiu como tarefa diária levar e trazer a irmã à escola para evitar que esta, como represália, fosse alvo de ataques com ácido sulfúrico.

Samar Minallah Khan tentou dar visibilidade às histórias destes homens, que eleva à categoria de “heróis”, tentando que o seu exemplo sirva para influenciar outros homens a quebrar tradições seculares que mais não são do que flagrantes violações dos direitos humanos.

Para conhecer melhor a obra desta antropóloga e documentarista premiada várias vezes pelo seu trabalho ver aqui.

3. Risco de pobreza em Portugal atinge mais mulheres e pessoas idosas

3No final do ano o Instituto Nacional de Estatística (INE) volta a dar a conhecer os dados sobre o risco de pobreza em Portugal referentes a 2014 (ver aqui). Ficamos a saber que o risco de pobreza da população em geral se mantém igual ao ano anterior, atingindo cerca de um quinto dos portugueses (19,5%). Contudo, e pelo segundo ano consecutivo, a taxa de risco de pobreza para a população idosa voltou a subir (passa de 15,5% em 2013 para 17,1%), tendo aumentado também para a população sem trabalho. O risco de pobreza também continua a atingir com maior intensidade as mulheres: 20,1% face a 18,8% para os homens.

Como elementos positivos, este relatório revela uma redução da assimetria na distribuição de rendimentos entre mais ricos e mais pobres e a diminuição do risco de pobreza nas crianças (que cai de 25,6% em 2013 para 24,8% em 2014). As famílias com crianças mantêm no entanto um risco de pobreza superior ao dos agregados sem crianças dependentes.

Estes são números que dão (muito) que pensar, e que revelam que ainda muito há a fazer no combate contra a pobreza em Portugal.

Seleção e redação por Paula Ferreira (Diretora do Centro)

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