A conversão que importa

12509814_10154423253141416_3223397655911656341_nEstamos já em tempo de Quaresma, período em que tradicionalmente o cristianismo convida à “conversão”. A esta palavra ligamos habitualmente uma mudança de hábitos a nível sobretudo individual: ser mais esforçado, cuidar melhor de uma ou várias das dimensões da vida, reduzir ou cortar com o que é negativo. Este olhar para a realidade a “partir de mim”, da minha liberdade e caminho pessoais, acaba por ser um dos grandes traços da cultura grega da qual a nossa visão do mundo é herdeira.

Mas a conversão da Quaresma, mais do que centrada no “eu”, é para ser centrada no “outro”, naquilo que ele precisa e pede, no crescimento na minha capacidade de partilhar tempo, recursos, e caminho. A cultura semita de Jesus, como na grande maioria de outras culturas antigas, reforça a dimensão do “nós”. E assim a “conversão” a que nos convida a Quaresma não é um processo puramente individual, mas uma entrega onde os demais são envolvidos, e da qual beneficiam. Não porque é “escolha” minha, mas porque é meu “dever”, o “melhor de mim” que a realidade e os outros à minha volta necessitam e a que têm direito.

Esta acaba por ser também a experiência de quem se envolve na vida do Centro, como mostram os vídeos e os textos abaixo. A Nazanine, voluntária que vem semanalmente partilhar almoço e conversa com quem anda por cá, refere que “ser voluntária é ser solidária”, e que foi assim que descobriu os “benefícios da partilha”. E o João, frequentador do Centro, fala na dimensão de “família” que o Centro se tornou para ele, e de como isso lhe alimenta a esperança e a sua própria capacidade de entrega. De muitas mais ajudas e entregas vive e se alimenta esta casa, sejam elas de voluntários, doadores ou utentes. Todos convidados a “dar”, e assim todos alimentados e enriquecidos pelo comum e partilhado “receber”. Esta é a conversão que permanece e que mais importa, fonte de sentido e de alegria para a vida. Boa (conversão de) Quaresma para todos!

 P. Filipe sj