1. Aumentam as desigualdades entre as crianças 

CapturarO relatório da UNICEF Equidade para as crianças: uma tabela classificativa das desigualdades no bem-estar das crianças nos países ricos, dado a conhecer este mês, classifica 41 países da UE e da OCDE segundo o fosso que separa as crianças mais desfavorecidas da “criança média” em cada país (ver relatório aqui e síntese em português aqui). O relatório analisa as disparidades em quatro dimensões: rendimento, desempenho escolar, problemas de saúde e satisfação com a vida reportados pelas próprias crianças.

Ao nível da disparidade de rendimentos, a situação em Portugal agravou-se nos últimos anos. Somos o 33.º país mais desigual do ranking. Os dados revelam que o rendimento de uma criança de um agregado pobre é 60,17% inferior ao de uma “criança média”. Na tabela que mede as disparidades na educação, Portugal aparece em 19.º lugar entre 37 países para os quais há dados. Apesar de algumas melhorias, os alunos de famílias com estatuto socioeconómico mais baixo apresentam 12% mais probabilidade de não atingir os níveis mínimos de competências nas áreas da Matemática, Leitura e Ciências do que os seus pares de meios mais privilegiados. Já no que diz respeito aos problemas se saúde sinalizados pelas crianças Portugal destaca-se pela positiva, situando-se no 7.º lugar num conjunto de 35 países. No que toca ao fosso entre a média e as crianças menos satisfeitas com a vida, o nosso país ocupa o 18.º lugar.

Há ainda uma outra desigualdade que persiste e que a UNICEF assinala como sendo transversal a todos os países – a desigualdade de género. Este estudo mostra, por exemplo, que em todos os países as raparigas têm maior probabilidade de ficar para trás relativamente à saúde e também revelam um nível de satisfação com a vida inferior ao dos rapazes.

No ranking geral das desigualdades entre as crianças, a Dinamarca está no topo da tabela e Israel está em último lugar em todos as áreas. Portugal fica a meio da lista, no 19.º lugar (ver notícia aqui).

2. Já não há fome em Portugal?

mw-860Contrariando a ideia de que já não há fome em Portugal, uma das conclusões do inquérito anual InfoFamília referente a 2014, conduzido pela Direcção-Geral de Saúde, revela que existem famílias que enfrentam carências alimentares – 16,1% famílias inquiridas. A situação de falta de alimentos atinge em primeiro lugar as pessoas adultas do agregado, mas já vai também afectando um número significativo de crianças.
Em termos geográficos, os casos mais graves ocorrem no Algarve e na região de Lisboa e Vale do Tejo, facto que, de acordo com uma das responsáveis pelo estudo, se explica pelas elevadas taxas de desemprego nestas regiões, pela maior prevalência de famílias monoparentais e também por uma presença mais elevada de população imigrante, considerada um dos grupos vulneráveis à insegurança alimentar, por possuir uma rede de suporte social e familiar mais frágil.
Monica Truninger, socióloga no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que tem estudado as questões da pobreza e insegurança alimentar, destaca o papel de “almofada de apoio” que as instituições e escolas têm prestado a estas famílias, mas considera que é preciso mais. É preciso uma relação articulada e sinergética entre o Estado, o mercado e a sociedade civil para encontrar soluções duradouras e eficazes para este problema social. (Ver notícia na íntegra aqui)

3. Opré Chavalé – “Erguei-vos jovens” contra a discriminação

197No mês em que se comemora o Dia internacional do Cigano (8 de Abril) vale a pena conhecer o projeto Opré Chavalé – “Erguei-vos jovens” em romani (saiba mais aqui). Promovido pela Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, em parceria com a associação Letras Nómadas, esta iniciativa inovadora visa a integração das comunidades ciganas no ensino superior. A ideia é quebrar as barreiras que separam estas comunidades do sistema de educação formal, particularmente no que diz respeito ao acesso ao ensino superior, cursos académicos e técnicos.
E isto consegue-se, entre outras medidas, com mentoria, mediação, apoio nos diferentes procedimentos e acesso a bolsas de estudo. Pretende-se também que o grupo piloto que integra este projecto contribua, através do seu exemplo, para a sensibilização da comunidade.
A propósito deste projeto e do Dia Internacional do Cigano, o Jornal Expresso publicou uma reportagem em que dá a conhecer a história de alguns destes rapazes e raparigas, jovens e menos jovens, que estão hoje na universidade, contrariando aquele que seria o percurso “normal” e esperado de alguém que nasceu e cresceu numa comunidade cigana. Mas para todos é ponto de honra que esta experiência não implica assimilação ou perda daquilo que consideram ser as suas raízes. A este propósito vale a pena citar as palavras de Teresa Vieira, 26 anos, estudante de Sociologia no ISCTE graças ao projeto Opré Chavalé, que reconhece que a tradição está a mudar e que já não é possível sobreviver das feiras, mas assume que nunca vai perder as suas raízes e afirma: “temos de proteger aquilo que somos e de onde viemos” (ver a reportagem aqui).