1. Abriu o primeiro frigorífico comunitário em Portugal

2Fica em Lisboa, no bairro Alvito-Velho, e inspira-se numa iniciativa que já existe em vários países como o Brasil, Índia, Espanha, Alemanha e Reino Unido. O frigorífico comunitário é um projecto que assenta num sistema de solidariedade dentro da própria comunidade (ver aqui e aqui). Trata-se de um frigorífico solidário aberto a todas as pessoas carenciadas do bairro que, de forma anónima, sem necessidade de encaminhamento técnico, declarações ou documentos de identificação, podem ir buscar comida doada por quem tem mais.

Para a responsável pela iniciativa, Ruth Calvão da Fábrica Alcântara-Mar – associação que intervém na dinamização deste bairro – esta pode ser uma forma eficaz de responder às necessidades de carência alimentar identificadas na comunidade e que atingem sobretudo idosos, imigrantes, desempregados de longa duração e famílias desestruturadas. Por um lado, permite contornar a “vergonha” que inibe muitas pessoas de recorrerem a instituições para pedir apoio alimentar. Por outro lado, para além de refeições prontas oferecidas pela ReFood, são disponibilizados bens perecíveis, como fruta, legumes e outros frescos, a que muitas pessoas não acedem por dificuldades económicas. O projecto vai tentar articular, no âmbito da responsabilidade social, com produtores, supermercados e mercearias para garantir o fornecimento destes produtos. Para Ruth Calvão este projeto tem também uma componente educativa, uma vez que se pretende que as pessoas respeitem os outros e não retirem mais do que precisam.

O frigorífico foi doado por uma moradora de 80 anos, nascida e criada no bairro, e além de útil é também uma obra de arte, tendo sido pintado pelo artista plástico Luís Levy Lima.

2. Refugiados: investir no acolhimento é investir no crescimento

3O primeiro grande estudo sobre o impacto da chegada e integração de requerentes de asilo na União Europeia, financiado pela ONG The Tent Foundation (ver relatório completo aqui), conclui que a população refugiada, no espaço de apenas cinco anos, irá gerar quase o dobro do valor que os Estados-membros vão gastar no seu acolhimento e integração.

De acordo com o economista Philippe Legrain, autor do estudo e professor da London School of Economics, os refugiados vão contribuir para a criação de mais postos de trabalho, levar ao aumento da procura de bens e serviços e suprir lacunas existentes há vários anos no mercado de trabalho europeu. Simultaneamente os seus salários irão ajudar a financiar os sistemas de pensões e finanças públicas dos países de acolhimento. Tendo por base estudos anteriores realizados por outros economistas, Legrain considera também pouco provável que a integração destes refugiados provoque aumento do desemprego ou quebra dos salários nos países que os recebem. Alerta contudo para a necessidade de a Europa adotar medidas que facilitem a entrada dos requerentes de asilo no mercado de trabalho – por ex., permitir que trabalhem enquanto aguardam uma resposta das autoridades, assegurar a aprendizagem da língua, o reconhecimento das habilitações, garantir o seu alojamento em zonas com maior oferta de emprego, etc..

A mensagem central deste relatório é a de que o acolhimento de pessoas refugiadas não é apenas uma obrigação humanitária e legal; é um investimento que pode gerar muitos dividendos económicos. Philippe Legrain espera assim que as conclusões deste estudo ajudem a desconstruir o mito de que os refugiados são um fardo económico para os países europeus que os recebem.